Por Rafael Mesquita
Ele assumiu há pouco tempo o comando da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL), mas já está na entidade há mais de 20 anos. A missão não será fácil: substituir Geovar Pereira, que comandou a entidade por uma década e foi responsável por avanços significativos durante a sua gestão.
Gustavo de Faria é o primeiro empresário que já comandou a CDL Jovem, grupo de jovens empreendedores da entidade, a se tornar presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia. “Minha relação com a CDL começou muitos anos atrás, quando participei de um dos serviços que ela oferece, a escola de negócios, além de alguns cursos de capacitação”, lembra.
Naquele período, Gustavo queria se integrar ao setor empresarial goiano, depois de morar anos em São Paulo e no exterior. “Entrei participando da CDL Jovem, depois fui presidente e, na sequência, convidado a compor o Conselho de Administração da entidade em Goiânia”, explica.
O dirigente classista avalia a época como de grande aprendizado e também como uma oportunidade de compartilhar os anseios da categoria. “Eu passei a conhecer bastante os empresários do varejo e a vivenciar as dores de outros segmentos diferentes do meu. Foi um grande aprendizado para, hoje, assumir a posição de presidente”, acredita.
A trajetória de sucesso no meio empresarial está no DNA de Gustavo. O seu pai, Antônio Eustáquio de Faria, é médico ortopedista, mas sempre teve um tino comercial muito forte. “Ele investiu grande parte da renda da família. A gente nunca teve uma vida apertada financeiramente, mas também não sobrava muita coisa, porque ele investia muito”, conta Gustavo.
Antônio Eustáquio foi, durante muito tempo, sócio de um dos principais hospitais de Goiânia: o Neurológico, vendido para o grupo Kora Saúde em 2021. Ainda atuou nos setores imobiliário e agrícola, com propriedades em Anápolis e Leopoldo de Bulhões, onde plantava soja e criava gado. Além de investimentos no agronegócio no interior de São Paulo.
Mas o segmento de postos de combustíveis se tornou o grande interesse de Gustavo nos negócios da família. O pai iniciou a atuação nesse setor em sociedade com um antigo amigo. Eles abriram o primeiro estabelecimento e logo conseguiram ampliar a rede para outras unidades. “Quando entrou a segunda geração, eles decidiram amigavelmente separar a sociedade”, explica. A parte da família de Gustavo é a rede Xodó. Uma das grandes paixões da vida do presidente da CDL que se tornou o CEO da empresa.



Qualificação para ampliar os negócios
Formado em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas, Gustavo começou a sua carreira profissional ainda em São Paulo, em uma indústria química. Depois, foi trainee e trabalhou no banco ABN AMRO, além de algumas consultorias. Uma preparação para assumir os negócios da família.
O empresário havia se qualificado para comandar a rede Xodó. Quando ele iniciou na gestão, eram apenas quatro postos de combustíveis em operação. “Atualmente, temos 20 unidades”, orgulha-se. Mesmo assim, Gustavo admite a dificuldade de atuação no setor. “A operação nunca foi fácil. A gente é o último ponto da cadeia até o consumidor e isso faz com que nós tenhamos virado alvo de todo questionamento com relação ao custo do combustível. Mas o grande ponto do Brasil é a carga tributária. É praticamente metade do preço que o consumidor paga lá na bomba de gasolina”, argumenta.
O presidente da CDL afirma que o imposto potencializa a alta do produto. “Se aumentou um real de custo na bomba, vai aumentar dois reais, porque você tem o reajuste de um real de imposto também. Isso é muito difícil de explicar para o consumidor”, acredita.
Gustavo explica que o setor ainda sofreu com a concorrência maior do mercado. “Teve uma abertura muito sem controle em termos de fiscalização, e, quando éramos fiscalizados, ainda havia o problema da corrupção”, afirma. Segundo ele, um de seus estabelecimentos já foi fiscalizado por um servidor que estava com tornozeleira eletrônica por ter sido pego em flagrante cometendo o crime de corrupção um tempo antes. “É algo surreal que às vezes o consumidor ou mesmo a sociedade nem toma ciência”, indigna-se.
Dentro desse cenário, Gustavo avalia que cresce a importância de entidades como a CDL. “É necessário, no sentido de contribuir para que sejam criadas regras justas a todas as empresas que operam no mercado, seja de combustível ou de qualquer outro segmento de varejo em Goiânia, em Goiás e no Brasil”, afirma.
Metas de gestão
Para o triênio 2026-2028, o novo presidente pretende ampliar iniciativas de representatividade institucional, aprimorar ferramentas de gestão e fortalecer os serviços oferecidos aos associados. Entre eles, ações para reduzir o custo do crédito e do dinheiro para o empresário. “Os juros reais no Brasil são os mais altos do mundo. A gente vai oferecer subsídios tanto nas taxas de cartão, quanto nas de juros, com a concessão de crédito através de um FIDC, que é um fundo de direitos creditórios (produto de renda fixa que investe pelo menos 50% do patrimônio em direitos creditórios)”, explica.
Segundo o presidente, a medida é uma forma de retornar ao associado uma parte do resultado obtido pela CDL. “Isso tem todo o sentido, se estamos falando de entidade sem fins lucrativos”, avalia.
A respeito do custo do dinheiro no Brasil, o empresário exemplifica com o financiamento para a reforma ou expansão de uma loja. “É muito oneroso, e essa instabilidade dificulta um planejamento de longo prazo. Ainda há o problema da grande burocracia no País”, analisa.
Por isso, ele entende que é um desafio para a CDL, como entidade de representação, estar próxima do poder público para acompanhar possíveis entraves na legislação. “É preciso trabalhar com eles na regulação do mercado, trazer para a formalidade os informais, utilizar estruturas como o Simples Nacional e a capacitação em parceria com o Sebrae. Queremos que esses empresários operem de fato para gerar emprego e crescimento econômico na nossa região”, pontua.


Exemplo para o filho
O filho de Gustavo, Antônio Neto é a grande motivação para o pai ter assumido o desafio de comandar a CDL Goiânia. Na cerimônia de posse da entidade, o empresário homenageou o garoto e a esposa Gisele Faria, com quem é casado há 16 anos. “Ela é uma pessoa que está sempre ao meu lado, me apoiando”, afirma.
Gustavo acredita que é por meio de ações concretas que se consegue transmitir grandes ensinamentos. “Não adianta eu só usar as palavras com o meu filho e ter atitudes que não se assemelham a elas. A minha participação na CDL tem muito a ver com o exemplo que quero passar a ele”, explica.
Pai, mãe e filho já moraram juntos no exterior. Uma experiência muito boa, que fortaleceu os laços familiares. “Uniu ainda mais a família. Retornamos em janeiro, principalmente pela obrigação que eu tinha assumido perante a CDL”, ressalta.
O empresário explica que os três gostam muito de viajar, como uma forma de abrir horizontes e ampliar a visão de mundo. “Quando jovem, eu tive essa mesma experiência do meu filho, de estudar fora do país. É sempre muito enriquecedor”, acredita.
Além do filho e da esposa, Gustavo destaca a importância de estar sempre junto e valorizar as pessoas que ama. “Sou muito família também com meus pais e sogros. A gente está sempre muito unido”, conclui.














