A realização da MotoGP em Goiânia representa mais do que um grande espetáculo esportivo internacional. É também um evento que testa a capacidade de organização, hospitalidade e maturidade do setor produtivo ligado ao turismo em Goiás. Até o momento, o que se observa é um desempenho que reforça a credibilidade do Estado e valoriza a cadeia econômica que gira em torno dessa atividade.
O turismo é uma engrenagem complexa, formada por mais de cinquenta segmentos que se conectam direta ou indiretamente. Hotéis, restaurantes, bares, lanchonetes – incluindo os tradicionais pit-dogs, uma marca de Goiânia –, agências de viagem, transportadoras, guias turísticos, comércio, tradutores e prestadores de serviços diversos compõem uma rede que se movimenta intensamente quando um evento internacional chega à cidade.
É justamente para contribuir com esta articulação da rede empresarial que atua o Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade de Goiás (Cetur GO), órgão que integra o Sistema Fecomércio/Sesc/Senac GO e funciona como um espaço de diálogo e orientação entre as entidades que representam a cadeia produtiva do turismo. Como parte desse papel, o setor tem buscado garantir que o evento seja um marco positivo para o Estado.
Recentemente, o Cetur-GO participou de uma reunião com o Procon Goiás para tratar de um tema sensível em grandes eventos: os valores das hospedagens. Houve denúncias de preços elevados, algo relativamente comum quando a demanda cresce de forma abrupta. O encontro foi importante para orientar o setor e reforçar a necessidade de equilíbrio e responsabilidade.
É importante lembrar que eventos internacionais costumam operar com parâmetros de mercado também internacionais. Nas cidades que recebem a MotoGP ou a Fórmula 1, por exemplo, usa-se referência média de preços em dólar para hospedagens de tipos, o que se reflete também para outros segmentos. Destaca-se que, neste evento, as plataformas de hospedagem de curta temporada puxaram os preços muito para cima, criando uma percepção generalizada que acaba recaindo sobre os hotéis, que são empresas formais, visíveis e mais facilmente fiscalizadas.
Por outro lado, também é necessário reconhecer que a cadeia de custos do próprio setor se eleva durante períodos como este. Serviços de tradução, segurança, limpeza, logística e outras demandas específicas aumentam significativamente, pressionando a estrutura operacional de hotéis e demais empresas – que ficam dependentes dos preços cobrados por fornecedores, empresas terceiras ou até exigindo custo maior de contratação para o período.
O caminho adotado até aqui tem sido o da conscientização. O Cetur orienta as entidades do setor e seus associados para que não pratiquem preços abusivos e para que tenham plena consciência da responsabilidade envolvida em um evento dessa magnitude. A oportunidade é grande. Goiás conquistou a possibilidade de sediar a MotoGP neste ano e pelos próximos anos, com potencial de renovação futura. Mas essa continuidade depende da experiência que visitantes, equipes e organizadores levarão daqui.
Até agora, o setor tem respondido à altura. Diante do tamanho da cadeia produtiva, o número de ocorrências ou penalidades registradas é mínimo, e já foi ajustado. Isso demonstra que a maioria esmagadora dos empresários compreende o valor estratégico do turismo.
Receber bem é mais do que um gesto de hospitalidade, é uma política de desenvolvimento, além de ser uma das grandes virtudes do povo goiano. E, neste momento, Goiás mostra que está preparado para acelerar nessa direção.

Ricardo Rodrigues,
Empresário e presidente do Sindtur-GO e do Cetur-GO














