Na última semana, o mercado financeiro brasileiro voltou ao centro das atenções após investidores serem informados de que os recursos aplicados em fundos de investimentos do Banco Master haviam sido bloqueados e que a instituição financeira teve a sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Poucos tempos antes, o país também foi impactado por notícias envolvendo investigações que relacionam a atuação do PCC a fundos de investimento na Faria Lima. Esses episódios, embora distintos, evidenciam um mesmo ponto: ainda existe uma lacuna preocupante entre a elevada regulação do sistema financeiro e a percepção real de segurança por parte de investidores e empresários.
O Brasil possui um arcabouço regulatório muito robusto, com forte atuação de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Mesmo assim, situações que envolvem bloqueio de recursos, falhas de diligência e riscos operacionais levantam dúvidas legítimas sobre a efetividade da governança interna de algumas instituições, a consistência dos mecanismos de controle e a maturidade das estruturas de compliance. Para o empresário, que precisa tomar decisões estratégicas baseadas em previsibilidade, confiança e estabilidade, esse cenário reforça a importância de compreender que segurança no ambiente financeiro não pode ser tratada como um pressuposto, mas como um processo contínuo de gestão de riscos.
Os eventos recentes nos mostram que não basta cumprir formalidades regulatórias. Governança não é apenas uma exigência normativa, é uma estratégia de proteção estrutural. O mercado financeiro evolui rapidamente, e as instituições precisam acompanhar esse ritmo com controles internos sólidos, due diligence constante, transparência na comunicação com investidores e mecanismos ágeis de mitigação de riscos. A ausência desses elementos impacta diretamente o ambiente de negócios, porque gera insegurança, afeta decisões de investimento e pode comprometer a saúde financeira de empresas que dependem de informações confiáveis para atuar em mercados cada vez mais competitivos.
Também é importante que empresários entendam que o risco não se limita ao cenário financeiro tradicional. A globalização dos fluxos de capitais, a entrada de novos players, a digitalização dos investimentos e a complexidade dos produtos financeiros ampliam exponencialmente a necessidade de análise e de acompanhamento especializado. O caso do Banco Master e as investigações envolvendo organizações criminosas são lembretes de que a fragilidade de um elo pode comprometer toda a cadeia. E, em um ambiente interconectado, a negligência de terceiros pode gerar prejuízos para empresas que não têm qualquer relação direta com o fato original.
Esse cenário reforça a importância de fortalecer a cultura de governança e integridade também dentro das empresas. Assim como as instituições financeiras precisam evoluir, empresários também devem adotar práticas de gestão de riscos mais maduras, avaliar cuidadosamente seus parceiros, exigir transparência de agentes financeiros e buscar suporte jurídico e estratégico capaz de interpretar sinais de alerta antes que se transformem em crises. A previsibilidade e a solidez dos negócios dependem cada vez mais da capacidade de antecipar riscos, de compreender o ambiente regulatório e de agir com responsabilidade.
Os acontecimentos recentes não devem ser vistos apenas como problemas isolados, mas como oportunidades para rever processos, aprimorar controles e reforçar a confiança no sistema. Em um País onde a regulação é complexa, mas ainda insuficiente para eliminar todas as vulnerabilidades, a consciência empresarial e a maturidade na tomada de decisões tornam-se diferenciais competitivos. Segurança jurídica e financeira não são questões opcionais, são pilares indispensáveis para quem deseja crescer de forma sustentável em um mercado dinâmico e cada vez mais desafiador.

Anna Bastos,
Sócia fundadora e CEO do BTN Advogados.














