Rio Verde, 25 de novembro: faltou pouco para o temporal se tornar um furacão. Com ventos de quase 92 km/h, além de precipitação de 80 mm em menos de 40 minutos, o temporal deixou os seus estragos e prejuízos: derrubou estruturas, provocou alagamentos e degradou plantações, principalmente de soja, que estão no início da safra.
Desastres climáticos assim eram espaçados no calendário brasileiro de tragédias naturais. Ocorria um hoje e, daqui seis meses ou mais, registrava-se outro. Agora, nem bem um revés climático acaba, já pode vir outro. Foi o que ocorreu em novembro. Um dia antes do quase-furacão goiano, uma tempestade atingiu Santa Catarina e afetou pelo menos 25 cidades. Mais de 120 pessoas ficaram desalojadas, oito desabrigadas e 361 residências foram afetadas. Algumas cidades registraram 181,6 mm de chuvas.
Dez dias antes, a notícia era de caos, também em Santa Catarina. Em um só dia, dia 10, o Estado enfrentou três tornados. Era ali o 15º deste ano. O ciclone extratropical registrou ventos de pelo menos 105 km/h.
Enquanto, em novembro, o mundo desabava em Goiás e Santa Catarina, só para ficar em dois exemplos rápidos e no mesmo mês, autoridades do clima mundial e diplomatas (já que chefes de Estado, em boa parte, assistiram o evento só pela televisão) debatiam em Belém (PA), na pontinha da Floresta Amazônica.
Foi um evento de resultados mistos, uma COP de copo meio cheio e meio vazio. Como diria a metáfora, que não desagrada totalmente, mas também não é motivo de foguetório. Vamos às visões otimistas e pessimistas.
Copo meio cheio – Como aspectos positivos, podemos dizer que a ficha caiu de vez e a justiça climática é pauta de todos os países, e que os oceanos foram reconhecidos como chave para o clima. Avaliando melhor estes dois pontos: O documento final da COP 30 foi bem-recebido por qualificar o novo Fundo de Perdas e Danos, com o objetivo de garantir que comunidades vulneráveis tenham acesso simplificado a recursos para eventos climáticos extremos. Ao dar real valor aos oceanos nas questões climáticas, começa-se a revisar e trazer novas ações e políticas para a proteção marinha. Discutiu-se, anota no copo cheio, mais com a sociedade.
Copo meio vazio – Agora é que são elas. A conferência foi criticada por não alcançar o resultado esperado em relação a combustíveis fósseis e desmatamento. Frustrou tanto quanto a COP de Dubai, com um documento final que não incluiu propostas para a transição energética. De Dubai se esperava pouco, pois era uma COP no centro nervoso mundial do petróleo – chance zero de revisar estes temas. Mas de Belém, dentro da floresta, esperava-se mais.
Tem muito dinheiro na mesa para mudar tudo por conta de tornados, secas, ciclones e furacões. O documento final da conferência não traz compromissos reais para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás. Nem metas.
Pode-se facilmente dizer que se trata de um fracasso diplomático. O Brasil não assumiu o protagonismo internacional esperado e o incêndio dentro da conferência foi o pico de audiência da COP nas redes de todo o mundo. Falhas logísticas e a indelicadeza do chanceler alemão, Friedrich Merz, em Belém, comemorando o fato de ir embora de Belém. O sonso diplomata citado é o rei da gafe, tem algum histórico já de ligar a boca sem ligar o cérebro, mas, em uma COP sem sal, ele ganhou holofotes. Dias depois, falou mal de Angola: em visita ao País, disse que não encontrou “um pedaço decente de pão” por lá.
Agora é esperar a COP31, ano que vem, na Turquia e parte da Austrália – com negociações lideradas pelo País da Oceania. Aliás, melhor, vamos focar na copa do mundo de futebol de 2026. Está mais fácil o Ancelotti ganhar a competição para o Brasil do que sair algo relevantes dessas COPs. Muito barulho, muita grana, resultados pífios.
Leandro Resende,
editor-chefe
Linkedin: leresende














