Deparei-me, no dia 18 de fevereiro de 2026, quarta-feira de cinzas, com o excelente artigo, na seção Opinião do jornal O Popular, com o excelente artigo “Onde você mora?”, assinado pelo arcebispo de Goiânia e 1º vice-presidente da CNBB, Dom João Justino de Medeiros Silva.
Ele nos apresenta o texto-base da Campanha da Fraternidade 2026, cujo tema é “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
O tema é muito importante e atual para a sociedade brasileira. Segundo dados da publicação que embasa a campanha deste ano, existem no Brasil: déficit habitacional de cerca de 6,2 milhões de moradias; população em situação de rua de aproximadamente 328 mil pessoas (327.925 em uma das sistematizações citadas); cerca de 26 milhões de famílias vivendo em condições inadequadas (superlotação, falta de serviços, precariedade construtiva); e algo como 8,9 milhões de pessoas residindo em locais sujeitos a deslizamentos, enchentes, entre outros.
Estudos recentes apontam que são necessários investimentos da ordem de R$ 1 trilhão para zerar o déficit atual de moradia e, para zerar o déficit atual mais a nova demanda até meados da próxima década, serão necessários investimentos próximos de R$ 2 trilhões, ou seja, cerca de R$ 200 bilhões por ano ao longo de dez anos. Os valores são expressivos, porém não impossíveis de serem realizados. Governos verdadeiramente comprometidos com a causa poderiam resolver essa situação em uma década. Como isso poderia ser feito?
Uma possibilidade seria direcionar 100% do total de emendas parlamentares, hoje em torno de R$ 60 bilhões por ano, para moradia popular. Outra possibilidade seria direcionar os gastos atuais com os “penduricalhos”, ou seja, pagamento aos funcionários públicos “privilegiados” que ganham acima do teto constitucional, que atualmente consomem R$ 30 bilhões ao ano. E, do lado do orçamento do Poder Executivo, bastaria destinar cerca de 0,8% do PIB por ano para esses investimentos, compondo o esforço total de R$ 200 bilhões anuais.
Todos esses investimentos, por um lado, enfrentam uma questão social dramática no Brasil. Por outro, o investimento total de R$ 2 trilhões em dez anos resultaria em importantes benefícios para a economia em geral: retorno estimado de cerca de R$ 600 bilhões em impostos, geração de aproximadamente 9 milhões de empregos e aumento acumulado do PIB em torno de 10% ao longo do período. Trata-se, portanto, de um investimento social que também retorna para a economia sob a forma de mais atividade, arrecadação e trabalho.
Para isso, os próximos três governos federais, estaduais e municipais precisariam se comprometer com essa bandeira. Além, é claro, do comprometimento dos membros do Poder Legislativo, também nas esferas federal, estaduais e municipais. Já passou da hora de o País enfrentar de forma estrutural esse gravíssimo problema social.
Parabéns à CNBB por assumir essa causa e recolocar a moradia digna no centro do debate nacional.

Marcos Freitas,
Sócio-Diretor Economista, Mestre em Finanças e Mestrando em Turismo. 34 anos de experiência no Setor de Turismo.














