Na penúltima reunião do Copom, em janeiro de 2026, depois de vários meses de altas taxas de juros reais na economia brasileira, o Banco Central sinalizou que reduziria, a partir de março de 2026, a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, reduzindo-a da estratosférica taxa de 15% para a taxa, ainda estratosférica, de 14,50% ao ano.
Os relatórios Focus semanais, após esta reunião, reduziram as projeções do IPCA para o ano de 2026 e para os próximos 12 meses. No relatório de 6 de março de 2026, divulgado no dia 9, a projeção do IPCA para o ano foi de 3,91% e, para os próximos 12 meses, foi de 3,94%. Mesmo com a redução prevista para a reunião de março, de 15% para 14,50% ao ano, as taxas de juros continuariam acima de 10% de juros reais, nível insustentável para uma economia real como a do Brasil.
Os efeitos dessa taxa de juros estão sendo sentidos em toda a economia: redução dos investimentos, redução do consumo, empresas endividadas – muitas delas solicitando recuperação judicial – e, o pior, a população com nível elevado de endividamento.
O remédio, a alta taxa de juros, é muito amargo para a doença da inflação. Não existe no mundo, em nenhum Banco Central, uma prática de juros tão elevada como essa. Nos Estados Unidos e na Europa, os juros rondam os 4% ao ano, enquanto a inflação está em 2,5% ao ano. É totalmente fora de propósito o que acontece aqui no Brasil.
É óbvio que isso tem uma explicação: a tentativa do mercado financeiro de preservar os seus ganhos reais e, pior, a sua ganância em ganhar cada vez mais, tudo isso em detrimento da população e das empresas brasileiras.
Para a nossa – não digo surpresa, pois o mercado já insinuava para uma possível redução menor pelo Banco Central -, porém, para a nossa indignação, o Banco Central reduziu a taxa em 0,25 ponto percentual na última reunião do Copom, 18 de março de 2026. A justificativa é a Guerra do Golfo e o aumento do barril de petróleo.
Haverá um efeito na taxa de inflação se o Governo Federal repassar o aumento do barril para os preços nas bombas de combustíveis? Sim, haverá, com certeza. Porém, tecnicamente, a tolerância da inflação em 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo da taxa do centro da meta de inflação não é para acomodar efeitos sazonais de preços? Sim, é para isso; por isso, tecnicamente, o Banco Central precisa analisar o núcleo da inflação, que expurga esses eventos esporádicos.
Os mais céticos dirão: e se a guerra continuar? Se a guerra continuar, aí sim o Banco Central pode alterar a sua previsibilidade, que tanto o mercado financeiro cobra e não se realizou ente a penúltima e última reunião do Copom.
Portanto, é lamentável a atitude do Banco Central em reduzir em apenas 0,25 ponto percentual a taxa básica. Ele sanciona a preservação dos ganhos do mercado financeiro e, pior, sanciona também a ganância desse mercado.
E as empresas produtivas, que fazem o PIB crescer, e a população brasileira, que consome os produtos do PIB, que se danem.

Marcos Freitas,
Doutorando em Turismo, mestre em Finanças e economista.














