Por Rafael Vaz
R$ 10 bilhões em negócios projetados em cinco dias. O volume esperado para a edição de 2026 da Tecnoshow COMIGO, que será realizada entre 6 e 10 de abril, em Rio Verde (GO), ajuda a dimensionar o tamanho que o agronegócio brasileiro alcançou e o papel que eventos do setor passaram a desempenhar nesse cenário.
Organizada pela Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), a feira chega à sua 23ª edição com cerca de 700 expositores confirmados e expectativa de público semelhante à registrada no ano passado, quando mais de 140 mil pessoas passaram pelo Centro Tecnológico Comigo (CTC).
Na edição de 2025, o evento movimentou R$ 9,24 bilhões em negócios. A manutenção desse patamar em 2026 indica uma tendência de estabilidade em alto nível, mesmo diante de um cenário marcado por oscilações de mercado, custos de produção e exigências ambientais.
Ao longo dos anos, a Tecnoshow ampliou o seu escopo. Além da exposição de máquinas, insumos e tecnologias, a feira passou a concentrar também instituições financeiras, consultorias e especialistas, criando um ambiente voltado à tomada de decisão.
“Mais do que uma feira de exposição, a Tecnoshow é um ambiente de conexão entre tecnologia, conhecimento e mercado”, afirma o coordenador geral do evento, Claudio Teoro. “É aqui que o produtor tem acesso ao que há de mais moderno para melhorar sua eficiência, produtividade e gestão”, explica.
A presença de bancos e cooperativas de crédito, como Bradesco, Santander, Sicoob, Sicredi e Cresol, amplia as possibilidades de financiamento durante o evento, fator que contribui diretamente para o volume de negócios registrado.

Tecnologia ganha espaço próprio
Uma das novidades da edição de 2026 é a criação de um pavilhão dedicado à tecnologia. O espaço deve reunir empresas e startups com soluções voltadas à gestão, à análise de dados e ao uso de inteligência artificial no campo.
A iniciativa acompanha uma mudança no perfil das tecnologias apresentadas na feira, com maior presença de ferramentas digitais ao lado de equipamentos tradicionais. “Estamos vivendo uma transformação profunda no agronegócio, com digitalização, novas exigências ambientais e mudanças no mercado global”, afirma Teoro.
Programação técnica e impacto econômico
A programação de palestras também reflete essa ampliação de temas. Ao longo dos cinco dias, mais de 30 atividades estão previstas, abordando desde mercado agrícola e economia até gestão de pessoas, inovação e saúde mental.
Entre os nomes confirmados estão o economista Mansueto Almeida, o especialista em gestão no agro Ricardo Arantes e a advogada Samanta Pineda, referência em direito ambiental aplicado ao setor. Segundo a organização, a proposta é integrar diferentes áreas do conhecimento e apoiar o produtor na tomada de decisões em um cenário cada vez mais dinâmico.
Os efeitos da Tecnoshow não se restringem ao ambiente da feira. Em 2025, o evento gerou um incremento de aproximadamente R$ 90 milhões no comércio de Rio Verde, com crescimento de 8,7% em relação a períodos normais, segundo dados da prefeitura.
Durante os cinco dias, a rede hoteleira operou com ocupação total, enquanto o aeroporto da cidade registrou 285 pousos e decolagens. A estrutura do evento também mobiliza mão de obra significativa. Para 2026, a estimativa é de cerca de dez mil empregos diretos e indiretos, considerando as etapas de montagem, realização e desmontagem.
“Começamos a montagem com antecedência justamente para integrar todas as frentes e garantir que o visitante encontre um ambiente preparado em todos os detalhes”, afirma o coordenador de Infraestrutura, Edimilson de Carvalho Alves.
A edição de 2026 também ampliará as ações voltadas à sustentabilidade. A organização busca conquistar o Selo Verde de Carbono Neutro, com a medição e compensação das emissões de gases de efeito estufa geradas durante o evento.
Na edição anterior, foram neutralizadas 84 toneladas de dióxido de carbono, volume equivalente ao plantio de 492 árvores. Os visitantes também poderão calcular e compensar individualmente as suas pegadas de carbono durante a feira.

Participação do poder público
A Tecnoshow também reúne instituições públicas e programas voltados ao desenvolvimento do setor. A Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa) participará com ações de atendimento técnico, qualificação e apoio à agricultura familiar.
Durante a feira, estão previstas entregas de cartões de programas sociais e certificados de capacitação, além de encontros com gestores municipais e reuniões voltadas ao financiamento rural.
Para o chefe da pasta, Pedro Leonardo Rezende, o evento cumpre papel estratégico no Estado. “Mais que eventos no calendário, são vitrines de inovação e espaços de negócios. A cada ano, vemos tecnologias que saem do papel e permitem que Goiás siga alcançando recordes de produção”, afirma.

Infraestrutura
Realizada em uma área que pode chegar a 130 hectares, a Tecnoshow reúne demonstrações de campo, exposição de máquinas, áreas de pesquisa e espaços voltados à pecuária.
A estrutura inclui estacionamento com capacidade para mais de 21 mil veículos, além de serviços de atendimento ao público e suporte médico.
A dimensão acompanha o crescimento do agronegócio brasileiro e reforça o papel da feira como espaço de difusão tecnológica e geração de negócios.

Picapes e utilitários movimentam milhões e ganham espaço na Tecnoshow
A movimentação bilionária da Tecnoshow Comigo não se limita a máquinas agrícolas e insumos. Entre os segmentos que mais crescem dentro da feira, está o de veículos utilitários, especialmente picapes, que acompanham a dinâmica do agronegócio e se consolidam como ferramenta de trabalho no campo.
A presença de montadoras e concessionárias reflete esse comportamento. Durante os cinco dias de feira, é comum que produtores aproveitem as condições comerciais para renovar a frota, o que transforma o espaço também em uma vitrine relevante para o setor automotivo.
Neste ano, o Grupo Saga amplia sua participação com um estande integrado, reunindo marcas como Nissan, BMW Motorrad e Triumph. A estratégia aposta na conexão com um público altamente qualificado e na geração direta de negócios. Entre os destaques está a Nissan Frontier, picape que concentra a atenção do público do agronegócio, além de condições especiais de negociação ao longo do evento.

“Mais do que apresentar produtos, nossa proposta é gerar conexão com o cliente, proporcionando uma experiência completa com as marcas”, afirma a gerente de Marketing Nacional do grupo, Isa Labre. Segundo ela, a expectativa é de um volume expressivo de vendas impulsionado pelo perfil do público presente na feira.
Outra marca que reforça presença é a GWM, por meio do Grupo Navesa, com foco em veículos 4×4 voltados ao uso no campo. A picape Poer P30 é uma das apostas da marca, que também investe em experiências práticas, como pista off-road, para demonstrar desempenho e versatilidade dos modelos.
“O público do agronegócio busca veículos que entreguem robustez, confiabilidade e versatilidade em qualquer terreno”, afirma Alexandre Oliveira, diretor de Vendas e Desenvolvimento de Rede da GWM Brasil.













