ENTREVISTADO: Zander Campos Júnior
Em uma conversa franca com a reportagem da Pró-Industrial, o publicitário e presidente da Associação Brasileira de Agências de Publicidade, capítulo Goiás (Abap-GO), Zander Campos Júnior, falou do avanço da indústria da comunicação em Goiás nas últimas décadas, da ainda pequena participação do setor industrial goiano na receita do setor e da ampliação da formação e parque tecnológico do segmento. Zander, que falou da importância dos incentivos fiscais para a indústria goiana e seus efeitos no crescimento da economia. Como a entrevista foi realizada em dezembro, o governo estadual ainda não havia anunciado o benefício fiscal para a indústria da comunicação – que está detalhado em matéria seguinte à entrevista do presidente da Abap-GO. Confira os principais trechos da entrevista:
A produção publicitária em Goiás, até pelos prêmios e qualidade do trabalho que executa, hoje é reconhecida pelo mercado publicitário nacional?
Sim, de muito já é reconhecida. A indústria da comunicação no Estado reúne talento, equipamento e empresas de todos os segmentos da nossa cadeia, que nada ficam a dever em quesitos de capacidade técnica e qualidade, aos maiores mercados publicitários do País. Assim, temos agências de propaganda, publicidade, promoção, eventos, Relações Públicas, gráficas, produtoras de áudio/vídeo/digital, gráficas de todos os meios, muito antenados ao que de melhor existe em nível estrutural, e com custo-benefício competitivo.
E este reconhecimento ocorre por parte das empresas goianas?
Ocorre, sim. E o reconhecimento deste mercado anunciante local é essencial, pois movimenta o trade do nosso setor. Exemplos temos vários, entre os quais, certames promovidos por entidades e grandes grupos de comunicação; entrega de premiações por marcas líderes em share e vendas; apenas para citar alguns. Claro que também temos exemplos pontuais de empresas goianas que não confiam no talento local, e preferem recrutar empresas de outros Estados.
Empresas goianas de abrangência nacional apostam no trabalho das agências do Estado? Como está a situação e o qual seria o ideal?
Ainda são poucas as empresas goianas que anunciam no mercado em nível nacional. Temos um mercado local ainda predominando, por ordem, o comércio, o setor público no geral; seguido pelo  setor de serviços, e o da indústria. O ideal seria um maior incremento das atividades de comunicação por parte de indústrias que pouco ou nada fazem, além da maior dinamização das demandas de indústrias que aqui estão instaladas, mas cujas matrizes são de outros Estados, e por conseguinte, nada produzem em Goiás, em nosso setor, pois tudo é centralizado em suas matrizes.
O setor industrial goiano está em plena expansão. Como o setor de publicidade e propaganda avalia este avanço do ponto-de-vista econômico e de integração de negócios? Como ampliar esta interação?
A meu ver, por meio de um mix de providências, assim ordenadas: investindo na capacitação e reciclagem de seus profissionais, que são o principal ativo das agências; investimento em talento e equipamento; ampliando o rol de pesquisas e programas de gestão e planejamento de nossa área (planejamento, mídia, etc); participando dos eventos promovidos por suas entidades classistas, além de estar filiado às mesmas.
Como evoluiu a indústria da propaganda goiana nas últimas décadas? Tem o mesmo perfil de evolução do setor industrial do Estado?
Nos últimos trinta anos, o impulso foi transformador, e coincide com a instalação dos cursos superiores específicos de habilitação em publicidade e propaganda. Hoje, são cerca de dez no Estado. Fora outros cursos de áreas correlatas, como Artes Visuais, Design Gráfico, Letras. Na seara acadêmica, houve muitos avanços, desde que o primeiro curso, da UFG/Facomb se instalou, no início dos anos 90. Creio que o perfil da evolução econômica do setor industrial foi mais veloz, uma vez que temos vários componentes neste contexto. A divisão de Goiás com Tocantins em 88, as novas métricas de gestões públicas implantadas, os programas de incentivo fiscal (Fomentar/Produzir), e as várias inovações promovidas pelos diversos governos, aliado ao boom da estabilidade econômica, a melhora dos índices estatísticos do estado, possibilitaram um upgrade mais favorável e rápido ao ambiente de negócios do setor industrial. No nível de equipamentos do setor da comunicação, o setor audio-visual se beneficiou de ganho de escala de produção nacional, e redução de alíquotas de importação, apesar de mais taxas com a criação da Agência Nacional do Cinema, ANCINE. A digitalização dos processos, na indústria serigráfica, gráfica, fotográfica e fonográfica beneficiou e barateou vários serviços. No âmbito do setor gráfico, por exemplo, o governo do Estado eliminou o ICMS para máquinas novas, dentre outros itens. E nosso parque gráfico ampliou e se modernizou em dez anos.
As agências maiores têm contato com empresários de todo País? Como é o perfil, quais são as características dos empresários goianos? Este perfil tem mudado nos últimos anos com a forte profissionalização da economia?
Esta atuação é muito individualizada. O perfil e  foco de atuação de cada agência vai de sua filosofia. Temos agências que só operam com o setor privado; temos outras que operam todas as ferramentas da comunicação; outras têm expertise com marketing político, web, promo, eventos, entre outros. Outras têm know-how de varejo, de imobiliário. A plataforma de contatos também varia, pois temos empresas com escritórios em outros mercados, ou que integram redes nacionais ou internacionais, que possuem coligadas em vários locais. Hoje, realmente a economia não tem fronteira. As publicações especializadas do trade são um canal de forte apelo e interface destes contatos. O perfil tem sim mudado com a profissionalização. E as agências publicitárias definem o nicho onde desejam atuar e prospectar. E os anunciantes têm também a oportunidade de pesquisar sobre as agências, visitando seus sites, assistindo seus portfolios, visitando suas estruturas, conversando com seus executivos. Esta química cliente-agência é vital para o bom negócio para todos. É um casamento, que precisa ser duradouro, feliz e de confiança.
Quais as perspectivas do setor para os próximos doze meses?
Corroboramos a tese de que 2012 ficou aquém da expectativa inicial. Os nós da economia no contexto internacional, misturados ao nosso cenário interno, não possibilitou grande avanço, em números finais tímidos de crescimento, PIB e outros indicadores. Em 2013, já teremos o evento Copa das Confederações. Em tese, grandes eventos, como Copa e Olimpíadas, movimentam grandes ações promocionais de marketing nos mercados. Esperamos que Goiás possa ser beneficiado também, apesar de não ser sede destes grandes torneios. No plano macro, torcemos para que as empresas no geral aloquem em seus budgets uma rubrica destinada às ações de comunicação. É incrível, mas muitas empresas não o fazem. E quando precisam demandar o serviço, por não ter provisionado, entendem que é gasto, e não investimento.
(entrevista publicada originalmente na Revista Pró-Industrial e reproduzida com autorização)