Representantes do setor produtivo se reuniram hoje com secretário da Fazenda. Um novo encontro foi agendado para o fim da semana

Terminou sem um acordo concreto a reunião entre o segmento empresarial e a secretaria da Fazenda na manhã de quarta-feira (24), que discutiu ajustes na implantação da NFC-e (Nota Fiscal ao Consumidor Eletrônica) e mudanças no decreto sobre o diferencial de alíquotas, o Difal. O encontro foi realizado na sede da Sefaz e teve a presença da Fecomércio-GO (representando todo o comércio goiano), Sindilojas-GO, Sindimaco-GO e Sindicato dos Contabilistas.

Durante a reunião, as entidades pleitearam a prorrogação do prazo para adesão à NFC-e e também a revisão do decreto que instituiu o recolhimento do diferencial de alíquota para empresas optantes do Simples. O secretário João Furtado Neto informou que serão feitos levantamentos técnicos para que um ponto de equilíbrio seja encontrado nessas duas questões. O superintendente executivo da Receita Estadual, Adonídio Neto Vieira Júnior, garantiu que haverá um entendimento entre as partes. “É do nosso interesse conversar com todos os lados. O mais importante é que as entidades estão tendo espaço para expor seus argumentos”.

De acordo com o presidente do Sindilojas-GO, José Carlos Palma Ribeiro, o governo está buscando compreender os pedidos do setor produtivo. “Tivemos um diálogo de alto nível. O secretário se mostrou aberto e acreditamos que conseguiremos avançar na próxima reunião.” José Carlos enfatiza que as questões da NFC-e e do Difal  precisam ser consideradas sob diversos ângulos. “Cada setor da cadeia tem uma necessidade. O impacto no varejo é diferente do impacto no atacado. O fato é que todas as partes envolvidas precisarão ceder em algum ponto, inclusive o governo. Caso contrário valerá o que está posto. Isso é o que não queremos”, pondera.

Em relação a NFC-e, muitos varejistas, principalmente do interior, estão com dificuldades para implantação do processo, sobretudo aqueles com menos habilidades para informática. O setor produtivo apoia a mudança, mas pede um prazo maior adequação. Em relação ao recolhimento do diferencial de alíquota para mercadorias adquiridas fora de Goiás, o setor produtivo afirma que o custo será inevitavelmente repassado ao consumidor. “Vai aumentar o preço dos produtos. O empresário terá que incluir essa diferença no cálculo final da venda”, explica José Carlos. O presidente ainda destaca um outro problema. “O governo argumenta que o objetivo é estimular a produção local. O detalhe é que nem todos os produtos necessários são fabricados em Goiás. Isso penaliza as empresas que precisam deles para o seu ramo de atividade. Muitas perderão competitividade e outras serão inviabilizadas. As franquias, por exemplo, sofrerão um forte impacto porque toda a mercadoria delas vem de outros estados”, finaliza.

Uma nova reunião entre as entidades empresariais e o secretário da Fazenda está marcada para a próxima sexta-feira, 26, às 10h, no Complexo Fazendário, que fica no setor Nova Vila.

Foto de capa: Denis Marlon