Por Raimundo Nonato Leite Pinto*

A sociedade está se revisando, reestruturando e traçando novos paradigmas a partir da evolução tecnológica. Tudo que foi usado rotineiramente nas duas últimas décadas, por exemplo, muitas vezes como revolucionário para aquela época, hoje está no fundo da gaveta. Não se tem registro de outro período da história em que uma solução revolucionária qualquer tenha durado tão pouco tempo. Mas é isso. A tecnologia de hoje pode tornar obsoleto o que foi lançado ontem, sem nenhuma cerimônia. É a era da inovação.

Raimundo Nonato Leite Pinto é diretor-presidente da Sicoob UniCentro Brasileira

Em todas áreas da sociedade, vamos ter benefícios visíveis. A evolução da tecnologia permite melhores soluções para questões de saúde, segurança, educação, comunicação, finanças, transporte e gestão, entre outras. Cada uma destas áreas deu saltos fantásticos em menos de dez anos, mas nenhuma delas alcançou ainda um ponto-de-equilíbrio. Para alguns destes setores, aliás, a estabilização das novas tecnologias está longe.

Muitos passos serão dados e os novos processos de uso, gestão, concorrência ou legislação são aprimorados, muitas vezes, amplamente modificados, por conta de novos “fatos” tecnológicos agregados, como, por exemplo, drones, programas de comunicação instantânea, programação streaming, ou educação, julgamento ou cirurgias à distância.

No setor financeiro, esta nova época chega com a rápida mudança de comportamento do usuário – no nosso caso específico, dos filiados à cooperativa de crédito. A agilidade e segurança que os aparelhos de celular ganharam fortaleceu o uso da “agência mobile”, pelo menos para atividades básicas, como pagar, receber, transferir e consultar. Só para citar quatro operações que hoje mais da metade da população bancarizada, segundo dados da Febraban, já opta, total ou parcialmente, por fazer pelo celular.

É uma tendência dos novos tempos: busca da eficiência e produtividade. A tecnologia está reinventando as agências para que, nos próximos dez anos, não estejam completamente vazias. A característica natural das agências do futuro é que sejam mais pontos de apoio e orientação, com atendimento personalizado, do que os atuais postos de serviços rápidos.

Essa dinâmica alcança todos setores e, em nenhum momento, pede permissão para entrar nas casas e empresas. Quando menos se espera, a “nova cultura” está integrada ao ambiente e modificando as rotinas e formas de convivência. É preciso medir o quanto cada inovação contribui e quais são os riscos e ameaças, como, por exemplo, dos efeitos sobre todas gerações da família, como crianças e adolescentes, questões relativas à privacidade das famílias e, principalmente, à segurança.

Percebe-se mais claramente que parte importante da sociedade está mais madura, mais informada e interessada em discutir o efeito de cada mudança, o que faz desta revolução uma progressão consciente na formação de uma nova cultura de sociedade. Se vamos mudar constantemente, que, pelo menos, sejamos donos do nosso rumo e estejamos preparados para pensar os efeitos no hoje e no amanhã de cada passo neste universo inexplorado.

*Raimundo Nonato Leite Pinto é diretor-presidente da Sicoob UniCentro Brasileira