O grupo chileno Cencosud, dono de várias redes de supermercados no Brasil, pode vender parte da operação brasileira. O grupo negou interesse em desfazer de suas empresas no País, mas o mercado dá como certa a venda de uma ou mais empresas. O Cencosud é dono, entre outros, do mineiro Bretas, com forte atuação em Goiás, do carioca Prezunic, e da sergipana GBarbosa.

O mercado aponta que a integração das operações não atingiu metas – alguns especialistas apontam que foi um pesadelo – e levou a empresa a elevar o endividamento a patamares limites. Em Goiás, a rede Bretas, adquirida em 2010 por R$ 1,3 bilhão, enfrenta problemas com fiscalização, com vários casos de interdição de loja por venda de produto vencido, com prisão de gerentes e ampla repercussão na imprensa. A empresa prometeu investir para melhorar imagem – que sofre forte desgaste e maior concorrência com redes locais emergentes – mas recentemente, paralisou atividades de uma loja referência do grupo, localizada no Araguaia Shopping. Um problema crônico, apontam executivos de outras empresas que na época também sondaram o Bretas, era o tamanho do passivo trabalhista e fiscal da empresa – que, para ser completamente solucionado, minaria a rentabilidade do novo negócio.

O Cencosud perdeu valor no mercado – de US$ 19 bilhões para US$ 7 bilhões – e prepara reestruturação. No entanto, a empresa nega qualquer venda de ativos no Brasil.

Carrefour, agora com Abílio Diniz, e Pão de Açúcar/Casino devem ser os novos players compradores no mercado – ocupando um espaço que teve o Cencosud como destaque desde 2010. Aliás, o Cencosud é um dos alvos neste novo cenário. Carrefour e Casino vão disputar a liderança do setor no País, uma guerra que promete muita estratégia e disputa “sangrenta”, com possíveis fusões e aquisições. “A disputa é quase ‘passional’”, brinca analista ouvido pela LEITURA ESTRATÉGICA.

Reação – Após circular forte especulação que o grupo venderia ativos no Brasil, o Cencosud anunciou plano de investir US$ 2,5 bilhões nos próximos quatro anos, além de abrir capital na Bolsa de Nova York da sua rede de shoppings. Apesar da negativa de venda de ativos no Brasil, no item cinco do plano estratégico 2016-2019, faz-se uma leitura diferente: “Item 5 – Alienação de ativos não estratégicos: Em consonância com a manutenção de um foco no core business e de gerar melhorias na rentabilidade, a empresa dedica-se à venda de ativos e negócios não essenciais”, descreve o plano.

A empresa esclarece que os US$ 2,5 bilhões a serem investidos serão do próprio caixa – não considerando abertura de capital da área de shoppings ou venda de ativos “não estratégicos”.

Origem do Grupo – O Grupo Cencosud é do Chile, mas tem um alemão naturalizado chileno, Horst Paulmann, como dono e fundador. Só para se ter uma ideia do tamanho da fortuna acumulada por ele, estimada em US$ 10 bilhões, é o dobro do patrimônio do empresário Abílio Diniz, referência do varejo brasileiro. O comparativo foi feito pela revista Exame.

Hoje o Cencosud luta para manter a quarta posição de maior varejista do Brasil, com mais de 220 lojas e 30 mil colaboradores, estando presente em oitos Estados (Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Sergipe) por meio das bandeiras GBarbosa, Bretas, Prezunic, Perini e Mercantil Rodrigues.

Fundado em 1963, possui ações nas bolsas de Santiago e Nova York, além de atuar em cinco países – Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e Peru – e manter escritório comercial na China. A companhia emprega diretamente mais de 140 mil colaboradores em mais de 900 estabelecimentos comerciais. (Leandro Resende)